domingo, 22 de junho de 2008

A primeira de muitas

Trilha:Play the Game - Queen

Lá estava eu, a caminho de mais uma iniciação. Até aquele momento, já havia passado por algumas, traumáticas ou não. O primeiro dia na escola, o primeiro beijo, entre outras. Fui pensando em como ia ser, se ia dar tudo certo, aquele nervosismo habitual a essas situações. Quanto maior era a proximidade, maior era a “suadeira”.

Embora a incerteza fosse latente, algo me dizia que tudo ficaria bem. Não era completamente leigo no assunto, já havia me informado, ouvira os mais velhos dizerem como era e até já havia acompanhado tantas vezes na televisão. Pensava que era só fazer como havia visto e se acontecesse algo de diferente, tentaria improvisar.

Pronto, era hora. No início, tremi mais do que imaginava que era o habitual, mas até ai, tudo certo. Após algum tempo, o esquema todo parecia fora de sincronia. Havia um desentrosamento fora do comum e eu ficava mais e mais nervoso com o que via. O momento esperado não chegava nem por decreto. Por um bom tempo, mantive a empolgação, mas logo o cansaço começava a virar o jogo. Eu pensava : “Será que na minha primeira vez, vou ficar no 0 a 0?”

Mas a sorte me sorriu. Naquele momento já estava perdendo as esperanças, suado, cansado. E finalmente aconteceu. O grito preso na garganta saiu com uma força descomunal, achei que ia morrer em êxtase. E por mim, naquele momento, nada mais justo. Um sentimento crescente de excitação e alegria tomara meu pensamento. Descobrira o que muitos já haviam dito, que ter aquela sensação ao vivo em nada se comparava aos momentos vistos varias vezes na TV.

E foi assim, com um gol aos 46 minutos do segundo tempo que eu debutei em jogos do meu querido tricolor.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Da chupeta ao sexo.

Para ler ouvindo: A musica do video abaixo! 

Da chupeta ao sexo.

Um menino de aproximadamente cinco anos corre para cima e para baixo como qualquer menino de sua idade, sua brincadeira preferida é o esconde-esconde. Numa destas brincadeiras ele acaba se vendo escondido com uma menina no escuro. Abraçado a ela, ele abaixa o seu “short” e mostra o seu “piu-piu”, e menina não faz por menos abaixa o seu “shortinho” e mostra o seu também...

Pêra ai! Meninas não tem “piu-piu”!!! Principalmente as de cinco anos.

Pois é, esse menino não sabia, mas logo descobriu, e não entendeu. Queria saber porque a menina não tinha “piu-piu”. Ela pegou no “piu-piu” dele e disse algo que só uma criança de mais ou menos cinco anos pode dizer:

- Acho que o meu não nasceu ainda!

Não foi neste dia que eu perdi minha inocência, foi neste dia que eu comecei a entender algumas coisas. Foi neste dia que a diferença entre homens e mulheres realmente começou a se abrir, então acho que foi a primeira vez que eu refleti sobre a real diferença entre um menino e uma menina.

Esse é o tipo de episódio que acontece com meninos que depois viram caras populares e descolados, mas não foi o que aconteceu comigo. Por ter me transformado em um NERD travadão demorou um pouco para eu sentir na pele a real diferença entre os sexos, mas isso com certeza é uma outra história.

Sempre achei que a vida tem alicerces eternos, mas quando olho para trás e vejo como eu mudei, do NERD travado a essa pessoa descolada que me considero hoje, me sinto bem em ver que consegui evoluir.

Neste episódio eu pude aprender uma das poucas verdades absloutas da vida:

A única certeza que temos na vida e que as coisas mudam!!!

 

Foto: Signiew

sábado, 31 de maio de 2008

"Agente nunca esquece"

"Agente nunca esquece"

para ler ouvindo: Yoru ha akeru - Toe
Citação de alguem ae: Por que a primeira vez agente nunca esquece! Será?




Bom, foi bom!
Num foi bom, bom como eu imaginei que seria, mas foi bom.
Mas também não foi mal.
Só não foi bom.


Sabe;
agente cria um milhão de expectativas, fica imaginando as coisas, faz alguns planos prés e pós.
Saca desenho;
sobe aquele balãozinho e as coisas vão acontecendo e tudo é sempre bom.
E ae descobre que é bom, não aquele bom, mas só bom.


O problema,
são as malfadadas histórias que o povo conta por ai.
Um vem e fala: "comigo foi assim".
Outro vem e fala: "comigo foi assado".
Uma história mais incrível que a outra
e pra todo mundo é sempre bom.
Maldita expectativa!
Se você se prepara pro bom
não fica frustado por que não é bom.


Como foi?
Ah!
Fiquei nervoso como todo mundo.
Mão suadas mas suadas mesmo.
Pernas meio moles, meio bambas, entre meio firme. Lembra quando a enfermeira fala: "não endurece a perna". Na hora da injeção e você deixa ela relaxada e de repente trava tudo.
Isso assim mesmo. Deu meio que uma tontura na hora, estomago vazio, parece que te sopram o ar pra dentro dele.
Deve ser o medo.
Ai vem o ecozinho chato.


"e se perceber? eber, eber, eber!
e se eu fizer alguma coisa errada? ERRADA, ERRADA
Será que vai comentar depois? comentar!
e se comentar mal e se eu só fizer merda e o pior se eu
nao conseguir!
Pior, ior, or, guir, ir merda, merda mal, merda ir,
pior"


Pois é;
a ansiedade vai tomando conta, vem crescente!
um formigamento que começa nos pés, sobe pelas pernas.
De repente, o corpo gela, as pernas teimam em tremer e vc briga com elas pra elas não tremerem. O gelo das mãos e evidente, você esfrega elas no corpo na esperança que aqueçam, mas elas não aquecem, então é só inventar uma desculpa esfarrapa que talvez cole.


você;
no caso eu!
Começa sem jeito.
Sem saber o que fazer, por onde começar. Fico sem saber se vou direto, se vai com calma, se apresenta o seu poderio completo, ou se espera uma resposta positiva. Depois de começado, vai tentando meio que se adaptar e curtir o momento. As vezes relaxo, por vezes continuo duro, e tenta a entrega.


Primeira tentativa é sempre de impressionar!
mostrar que é décima quarta vez!
Por mais que a inexperiência exista, ninguem vai ficar sabendo disso até que você o diga: então silêncio total, me protejo no silêncio.


E é rápido!
Fico extasiado por alguns momentos, mal acreditando no feito! a adrenalina baixa, a respiração volta a ficar calma, a arritma dá lugar pra batidas longas e pesadas, as veias voltam a bombar tranquilas sem querer explodir pela derme afora. O pensamento é sempre o mesmo: que venha a proxima.


Rola,
também;
a piada cliche:

"Agente nunca esquece"
se for BOM agente nunca esquece
se for bom agente nunca esquece
se for mal agente nunca esquece
se for MAL agente vai querer esquecer.



(Obs: não gostei, talvez retorne até sexta)

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Carta ao Lula.

Antes de qualquer coisa, agradeço ao convite de meu amigo Brigo para pincelar nesse espaço. Topei participar da idéia no momento em que me fora a proposta. Não sou sociólogo, muito menos especializado na temática em pauta (política), mas faço questão de saber quantos reais estão me levando por mês nesse país. Levei ao pé da letra essa história e resolvi posicionar as palavras como se estivesse realmente escrevendo uma carta!

Carta ao Lula.

Caro, Presidente.

Tenho tido dias difíceis. Isso porque meu pãozinho – quentinho -, que costuma compor minha mesa do café da manhã, amanhã pode não ser mais presente. Vossa excelência não deve ter conhecimento do que é mastigar aquele alimento feito de fermento e trigo tendo à mente que de uma hora para outra aquilo pode acabar. Tudo isso se deve ao fato de nossos hermanos simplesmente não querer vender o valoroso (bem valoroso!) trigo ao Brasil.

Os motivos, posso imaginar, são muitos. 1.º- Somos pentacampeões do mundo e eles bi; 2.º- Ganhamos uma Copa América, humilhantemente, em cima deles; 3.º- Emerson Leão enquanto técnico do seu time, o Corinthians, espantou os queridinhos da torcida argentina (Tévez e Mascherano); 4.º- O Brasil foi escolhido a sediar uma Copa do Mundo. E por último, talvez a hipótese menos provável 5.º A desestabilização da moeda nativa em relação à brasileira. Enfim, fato é que eu não posso imaginar minha refeição matinal sem meu saudoso pão francês e vossa excelência terá de fazer algo.

Aproveito para lhe parabenizar, Presidente, pela economia ‘estável’ do nosso país. Mesmo sabendo que basta os EUA se chacoalharem um pouquinho que toda essa maravilha cai por terra a ponto de virar um tremendo desastre. Aplaudo-o porque nunca se investiu tanto no Brasil, nem o ‘príncipe’ socialista (FHC) conseguiu tamanha façanha. Embora, ele (FHC), grite aos quatro cantos e repetidas vezes que “No governo FHC não tínhamos tantas oportunidades”, ou seja, uma maneira sábia de dizer o quão é incompetente.

Como bom eleitor que sou, quero alertar-lhe sobre nossa (dos brasileiros, apenas dos brasileiros) Amazônia. A Alemanha, em conjunto com os EUA, está de olho (bem grande!) em nossas florestas. Tudo culpa desse tal “desenvolvimento sustentável”, que por sinal, tem dado o que falar e todo mundo corre para onde tem verde, ou seja, para o Brasil. Isso até desmatarem tudo.

Falando nisso, o que tem dado o que falar também, querido Presidente, é a saída de nossa Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, do cargo. Não sei onde vai parar tanta novidade – insustentável. Estão todos abandonando o barco. Do outro lado as coisas vão pior (sorte sua!). A oposição troca os pés pelas mãos e não chega a lugar nenhum. FHC apóia Serra, o qual visa à presidência em 2010 e que apóia Kassab, que concorre à Prefeitura de São Paulo com Alckmin, que por sua vez é do mesmo partido de Serra. Confusão? Total. Isso que eu nem citei a participação do mineiro Aécio Neves na ‘briga’.

Bom, vou ficando por aqui sem querer delongar-me. Afinal, tenho que trabalhar muito para garantir meu caro pão de cada dia.

Glauber Canovas.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Senhor presidente

Para ler ouvindo: Chico Buarque - Meu Caro Amigo

Foto: Yahoo Notícias


Eu era garoto quando Fernando Collor foi eleito, fiz campanha pelo senhor, meu pai votou no senhor, mas não de certo.

O tempo passou, deu no que deu, veio o Itamar, o FHC, queria votar no senhor, mas acabei votando no boi de piranha Ciro Gomes. Então o senhor veio arrebatador e venceu, votei no senhor, votei com o coração, votei com convicção, me lembro de ter colocado uma camiseta vermelha no primeiro turno e no segundo turno não a tendo encontrado nem mesmo no cesto de roupa suja fui de branco mas assim que encontrei um adesivo (boca de urna, que feio) coloquei no lado esquerdo do peito.

Foi emocionante ver o senhor sendo eleito, me sentia presidente, me sentia um cidadão, me sentia ouvido.

Vieram os episódios as gafes, mas eu entendo isso, o senhor é do povo assim como eu. Mesmo eu tendo estudado e me formado moro na periferia e me considero um popular, mesmo que morasse em outro lugar ainda me consideraria assim. Por isso entendo, entendo que acontece trocar palavras e títulos importantes.

Veio a segunda eleição, eu estava desiludido, votei no médico tucano, e fomos para o segundo turno, não tive coragem de votar nele de novo. Senhor presidente, naquela manhã me dirigi a zona eleitoral decidido a anular o meu voto! Mas não tive coragem.

Votei no senhor.

E ai estamos, entre CPI´s, Projetos e Mensalões, não citei mas acompanhei tudo isso. Muitas vezes tive vergonha.

Tive vontade de escrever esta carta antes, mas oportunidade não tive.

Já deu para perceber que sou seu eleitor, mas não sou petista e nem de esquerda, sou como o senhor de centro direita que gosta de usar vermelho.

Sobre o futuro, torço mesmo que o senhor esteja decidido a se aposentar ao fim deste mandato, pois, como sabemos a alternância de poder é importante para a democracia.

Mas o porquê da minha torcida é outro.

Se o senhor quiser se ele reeleger não vejo como impedi-lo.

Para terminar.
Se decidir se reeleger, mudar as leis e tudo mais, é com pesar que não sei o que vou responder se me perguntarem.

- Vai votar no Lula?

Márcio Brigo

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Obrigado Aline Amaral pelas dicas.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Pois é!

Para ler ouvindo: Por enquanto (com a Cassia)
Citação: Firme os pés (Lanterna Verde - Liga da Justiça sem limites)


POIS É.



Oi.
Oi.
Tudo bem com o senhor?
Tudo caminhando.
Senhor Presidente!
Senhor Presidente!
Não precisa me chamar de presidente, deixa isso pros jornalistas.
É respeito! Mamãe me ensino assim.
E com você Rogério como ta a vida?
Ah! Sei lá, ta indo

(Silêncio)


Mas então, algum problema? Nenhuma medida do meu governo tem te beneficiado?
Não. Não. Quer dizer não é isso. É só a vida mesmo.
Ora companheiro! Assim é a vida, só tem que ter paciência que com o tempo as coisas se ajeitam, pode até não parecer mas tudo é um jogo político.

(Silêncio)


Você nunca pensou em desistir?
Desistir do que?
De ser presidente!
Você se candidatou várias vezes, perdeu duas seguidas disseram até que por causa da sua aparência, falta de estudo, articulação pra falar essas coisas ae que o senhor sabe muito bem, não passou pela sua cabeça que nunca conseguiria? Mesmo assim, agora o senhor ta eleito pela segunda vez, mas quando o senhor foi assumir sentindo o peso da faixa no peito e a galera correndo atrás de você. Você não pensou e agora? Será que fiz a escolha certa? Sabe quando a ficha caiu dias depois você não pensou em desistir?

(Silêncio)


Rogério, acho que nunca parei pra pensar nisso sabia, mesmo por que se pensasse acho que desistiria. É verdade que perdi, mas quando saia na rua e algumas pessoas chegavam e mim e diziam eu votei no senhor, porque quero que o Brasil mude, porque você é povo como agente, isso me deu força pra continuar seguindo. Ta bom, você ta pensando que é demagogia, mas até eu tento me convencer que não é. Mas chegando em Brasília descobri que as coisas não eram como eu imaginava, você viu por quantos escândalos passei, nesses dias chegava em casa deitava a cabeça no travesseiro e pensava “Não posso desistir”.

(Silêncio)


É!
É.

(Silêncio)

Mas sei lá, depois que o senhor virou presidente, o senhor vem pouco aqui em casa. Não sente falta disso?
Sinto. Na realidade sinto mais falta dessas conversas, todo mundo só me trás problemas, só fala de metas, de superávits, de dossiês, do Paraguai, do biocombustivel, de reeleição, tem horas que eu até me esqueço que eu sou o Luis.

Hehe! Ossos do oficio, quem mando ser presidente, mas e ae o que o senhor faz?
Eu! Eu não faço nada, nunca sei de nada! (Risos)

(Silêncio)


O Senhor já prometeu algo a alguém e depois percebeu que não poderia cumprir? Ou prometeu em um momento e depois percebeu que não avaliou direito os riscos. Tipo! É!
Ah, sei lá se o senhor ta me entendendo. Tipo já fez uma promessa e no outro dia quando acordou não se sentiu feliz e o senhor sabia que tinha que acordar feliz, mas foi o contrario, acordou mais confuso e ainda ficou com algo martelando na cabeça que talvez essa felicidade não venha.

(Silêncio)
(Pigarreio)

Eu sou o Presidente da República e tudo que eu fiz foi prometer. (Risos)

(Riso sem graça)
(Silêncio)


Pois é!
É!
Sentir medo é normal e mais cedo ou mais tarde você vai ter que enfrentar eles, basta decidir a hora certa pra lutar contra eles. Se perder a eleição, ai vai ter que se preparar melhor pra próxima, se não conseguir cumprir o prometido, talvez você tenha uma nova chance e se tiver cumpra! Mas nunca deixe apenas de cumprir, lute pra tentar cumprir. Só cuidado você pode acabar magoando pessoas pelo caminho.

(Silêncio)


E se magoar? Posso tomar uma decisão em um dia e voltar atrás no outro?


(Silêncio)

Sei!
Você já se filiou ao PT?
Não, não quero me envolver com política.
Mas...
Já sei, nunca na história desse país a juventude foi tão apolítica, tão distante dos interesses e rumos do Brasil (Risos) Mas não me interessa a política queria só ser um rapaz menos complicado.
Eu também queria.

(Silêncio)

Você viu o Corinthians contra a CRB no sábado?
Não tio! Eu sou palmeirense! Palmeirense, o senhor sempre esqueci disso!

segunda-feira, 28 de abril de 2008

QUANDO EU CRESCER?

Engraçado, eu nunca escrevi uma redação sobre o que eu queria ser. E também nunca pensei muito nisso. Pensava no que não queria ser. Eu não queria ser nem professora, nem a minha mãe.

Toda menina tem sonhos bem parecidos. Bailarina, médica, veterinária, professora, mãe. Nenhum desses me servia. Como disse, sabia o que não queria. E sempre achei que uma profissão não definiria todo o meu ser. Logo, como saberia o que eu queria ser? Só queria ser feliz, ora!

Quando criança eu queria ser amiga de todos, e ficava realmente chateada quando alguém não queria brincar comigo. Mas com o tempo e muitas decepções aprendi que não era esse o caminho. Decidi que queria ter a minha turma. Era a adolescência.

Aí eu queria ser a diferente, e quem não quer nessa idade? Queria conquistar meu espaço, e conquistei, não posso reclamar. Mas a pergunta ainda existia. E aí, o que você vai ser?

Como diferente que eu queria ser, quando me sugeriram fazer magistério, fiz contabilidade. Quando saí do colégio me sugeriram que ficasse um ano pensando na faculdade que queria fazer, mas eu já sabia, sociologia na cabeça. E assim fui prestar o vestibular. Contabilidade? Nunca busquei nem o diploma.

Epa, mas eu não disse que não queria ser uma profissão? Pois é. A vida me levou até uma profissão que eu não queria, mas que não abandono nunca mais, sou professora. Mas a dúvida continua, o que eu quero ser? Sou professora só entre as 13h e 18h, sobra um tempão pra ser o que eu quiser!

Hoje acho que sei o que quero ser. Quero ser mulher e menina, criança e adulta, doce e azeda, alegre e mal humorada, tudo na medida do necessário. Quero não ter que servir a padrões antigos, quero ser dona de mim mesma, não da casa. Quero amar muito e sempre, até a hora que acabar, depois juntar o que sobrou e partir pra outra. Quero estudar pra sempre, tudo o que eu gosto, artes, história, cinema. Quero ouvir música, todas que me fazem bem, todas que me traduzam. Quero mudar de direção se desejar, quero ter tudo pra poder jogar pro alto se achar necessário. Não quero ser constante o tempo todo, quero sentir o vento no rosto de vez em quando.

Quero ser eu. Sem padrão, sem forma, sem roteiro.

TOP 5 Brincadeiras!
1 - Queimada na escola
2 - Stop!
3 - Volei na rua
4 - Campeonato de Atari na casa dos amigos, Enduro e River Raid!
5 - Brincadeiras de menina, onde se colocava nomes de meninos, ações, números, e depois via no que dava, com quem ia ficar. Alguém lembra dessas brincadeiras? Puxa, não lembro de nenhuma delas pra ensinar, rsrs.

Bel Gasparotto

Leia mais sobre a Bel no link convidados na perte superior do blog.

sábado, 19 de abril de 2008

O que não quero ser quando crescer

São Paulo, 15 de março de 1997.
E.E.P.S.G – Prof° Zipora Rubinstein.
Português – Prof° Lucy.
Rogério Ferreira – 8° F.

Redação - O quero ser quando crescer

Talvez soe estranho, mas eu não sei o que quero ser quando crescer na realidade eu só sei o que não quero ser.

Embora seja um rapaz que viva sonhando acordado com um pezinho na lua a única coisa que consigo querer é ter um futuro bom com uma família legal, uns 3 filhos, um emprego que tenha folga nos fins de semana, pague um salário bom e em dia, uma casinha minha (que não seja alugada) com carro na garagem e um telefone.

Até tento sonhar em ser um engenheiro, advogado, arquiteto, mas a minha realidade (que é muito melhor que a de muitos amigos de classe) me faz ter os pés no chão e sonhar com que é possível pra mim. Como cursar uma faculdade se meu pai mal consegue pagar as contas aqui de casa? Minha mãe ta se desdobrando pra ajudar, mas a transportadora mais uma vez tomou um prejuízo enorme, então pra não sofrer uma frustração nem quero pensar nisso, não quero planejar algo que talvez não consiga alcançar.

Ser tímido e por ventura um bom observador me garante algumas vantagens uma delas ter plena certeza do que não quero ser, mas também deixa a realidade muito exposta pra mim, às vezes tenho medo de não conseguir sonhar mais.

(Ontem levei o pai do I pra casa novamente, ele tava sangrando pra caramba tinha um corte enorme na testa, deu tempo de ver um moleque mijando nele que mal conseguia se levantar do chão, o fedo de pinga tava mais forte que nunca, pior que o I já desistiu do pai, tem vergonha dele, não sei como agiria se fosse em casa, ajudar o Seu M, e pedir pro I ter paciência é uma coisa).

Uma coisa que descobri foi que agente sempre tem dois (pra não dizer mais) caminhos. Alguns conhecidos meus (alguns bem próximos) já estão cometendo pequenos furtos, assaltando office-boy no centro, roubando carro pra comprar maconha, o “fulano” já assumiu uma biquerinha, vive com roupa de marca, tênis da moda, indo pra umas festas locas, chega a dar inveja, mas sei lá, não inveja do cara, por que sei que eles não tem um futuro muito longo, talvez seja inveja das facilidades, de ter algumas coisas que ainda não experimentei ou que tenho certeza que vou trabalhar a vida inteira pra conseguir (pra eles tudo parece sempre tão fácil), sei lá, mas ter um policial na família me mostra que nenhum desses dois caminhos quero seguir, viver sem liberdade, preso e sob a tutela do governo e facções que comandam o sistema prisional sem poder colocar a cabeça tranqüila no travesseiro, jurado de morte, são coisas que não conseguiria suportar. Embora pareça que não mas, mesmo estando livre tenho a impressão que o policial vive a mesma situação, ser livre dentro de uma prisão sem muros deve ser pior, sair de casa cedo sem ter certeza que vai voltar ou com a farda escondida na bolsa, onde está o orgulho de proteger cidadãos se quando você está sozinho tem que esconder isso.

Tenho orgulho da minha família e tudo que passaram até aqui pra poder dar uma condição melhor a nós (filhos e netos) do que eles tiveram, mas também não quero seguir os passos do meu avô, vendo-o levantar as 4 da matina pra enrolar maça, carregar a kombi, empurrar bujão de hélio e ir por 3, 4 horas de estrada até uma festinha em uma cidade do interior com suas maças do amor, o pior não está no trabalho duro, desgastante e sacrificado, mas no olhar das pessoas, no tom da voz quando falam com você, as vezes da impressão de estarmos lá atrás como escravos que só tem que servir, servir, servir e por mais esmero e capricho, nunca será o suficiente bom.

Já não posso ser um jogador de futebol (ou trabalho ou trabalho, adeus Rodhia e campeonato paulista), não tenho vocação para o artístico, não sei cantar, muito menos dançar, pintar ou fazer qualquer outra coisa que exija destreza manual, bom seria se pudesse só escrever, mas também não quero ser escritor que futuro isso me daria.
Pois é, não sei o que quero ser quando crescer, mas talvez tudo isso mude, não sei quando se cresce, mas enquanto isso não chega vou vivendo, não sei o que quero ser, muito menos se quero crescer, mas, sei o que quero ter (talvez a sorte, destino, trabalho duro me ajudem a conquistar).


A única certeza que tenho é que com meu primeiro salário vou comprar uma bicicleta.

Fim.
























Top 5 brincadeiras!

1 - Carrinho de rolemã! (quem nunca perdeu um teco dos dedos, entro debaixo de um carro ou usou uma pedra como martelo, não sabe oq ta perdendo)

2 - Cinta ( se correr o bicho pega, se ficar o bicho come)

3 - Mãe da mula (Um bife e uma batata, cada macaco no seu galho, corredor polonês, (e essa mulekada tudo jogando video game))

4 - Peão ( a única brincadeira que eu ganhava)

5 - Bolinha de gude (eu ruim demais nisso, mas estar com a galera sempre rendia umas boas histórias).

Sei que são 5, mas vou colocar mais um de lambuja!

6- Qualquer coisa contra a rua de cima (não tem Corinthians x Palmeiras, Rio x São Paulo, Brasil x Argentina que tenha rivalidade maior do que contra a galera da rua de cima, invasão ninja, guerra de busca-pé, futebol, peão, pipa, arreia, Rua de cima eternos PATOS!!!!)

sexta-feira, 11 de abril de 2008

No corredor do passado

Trilha: Não consegui pensar em uma especial... por isso ouçam algo que gostem.

Citação: "Oh ! Que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!(...)"
Casimiro de Abreu


Há alguns dias, vagando por um corredor do meu passado, entro em uma sala de 1ª série:


- Luis, o que você vai ser quando crescer?
- Piloto de Fórmula 1, professora.
- Ah, que legal! E você, Lívia?
- Eu vou ser bailarina!
- Nossa! Paulo?
- Eu quero ser jogador de futebol!
- Olha! Vamos ter um novo Romário! E você, Elton?

Nesse instante a criança olha para todos os lados, sente o sangue do corpo inteiro ir para a face.

- Éééé... Hummm... Caminhoneiro.
-

O silêncio durou uns dez segundos. Depois vieram as gargalhadas. Entre astronautas e professoras, veterinários e médicos, cantores e atrizes, o aspirante a Bino sentiu-se envergonhado, embora não entendesse o motivo para tamanha farra. Talvez ele devesse ser comediante, pensava. Durante algum tempo fico parado vendo o pequeno Elton dar explicações às hordas de crianças sorridentes que vinham para fazer pouco caso da atrapalhada escolha.

Saio da sala e vou um pouco mais adiante, paro em frente à sala do 3º Colegial. Jovens discutem o vestibular e os planos para o fim daquele ciclo escolar. É nesse ambiente que vejo o adolescente Tonton entre os amigos da escola:

- E aí Macaco, o que você vai fazer na facu?
- Engenharia, sem dúvida... E você, Cacão?
- Direito. Beloto, sabe o que vai fazer?
- Fisioterapia. E você Tonton, vai prestar pra que?

O rapaz parece hesitar em responder, mas toma coragem e dispara:

- Não sei...
-


Dessa vez durou menos. Porém, ao invés de risos eu vejo indignação.

- Como não sabe?
- Você tá louco?
- O vestibular é em 6 meses e você não decidiu?

Fosse o adolescente um avestruz, certamente sua cabeça estaria três palmos abaixo do solo. Chateado com a cena, consegui enfim achar a luz do meu quarto e voltar.

Ontem recebi a visita inesperada do pequeno Elton caminhoneiro e do jovem Tonton, possivelmente um futuro hippie. Após conversarmos algumas amenidades, me vejo engasgando com uma pergunta do inocente Elton. A mesma que há algum tempo também os incomodou.

-Bom... Quem sabe eu posso ser um produtor de TV. Posso continuar com minha empresa, ou largar o ramo de vez. Posso voltar a estudar. Ser dono de uma banca de jornais. Posso até viajar por ai pra quem sabe descobrir um destino?

O garoto e o adolescente se entreolham, como que desiludidos. Quem sabe a tal pergunta não tenha mesmo resposta... Os dois se despedem, tristes.

Hoje cedo, assistia TV, quando me vem o estalo.

- É isso!

Rapidamente Elton e Tonton saem de suas salas escuras e vem correndo para tentar entender minha animação.

- É isso o que eu quero ser! Olhem!

Os dois olham para a TV e vêem um comercial de margarina, daqueles cheio de clichês.

- Você vai ser “fazedor” de propaganda? – pergunta Elton.
- Publicitário – corrige Tonton.
- Claro que não! Vejam esse cara! – continuei – Ele está ao lado da família, todos unidos, passando margarina no pão! O mundo lá fora um caos: guerra, violência, fome, mensalão, dengue. Mas lá está ele. Apenas passando margarina no pão!

- Então você vai ser filósofo agora? – ironiza Tonton
- Vocês não percebem? A resposta pra nossa pergunta é: SER FELIZ! Só isso!

Os dois finalmente esboçam um sorriso.

- É... Pra mim ta bom! – diz Elton – E pra você?
- Sim. Chegamos lá, finalmente – concorda Tonton – Mas tenho outra pergunta agora: Como?

Nós três nos olhamos em silêncio, para depois cairmos na gargalhada. Então aconselho:

- Quem sabe aquele senhor de cabelos brancos comendo pão com margarina ali do outro lado do corredor possa nos ajudar?


Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência

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Lista Top 5 Brincadeiras de Criança
5 - Taco (quantas bolinhas perdidas)
4 - Gato-mia (divertido brincar com as amiguinhas de escola)
3 - Futebol de Botão (fui 3º colocado em dois campeonatos)
2 - Futebol (sem comentários)
1 - Salada Mista (quem nunca pediu pro amigo apertar o olho quando fosse a menina que a gente queria?)

sexta-feira, 4 de abril de 2008

O que eu queria ser quando crescesse.

Para ler ouvindo: Balão Mágico - Superafantástico.

Foto: Márcio Brigo.

Quando eu escolhi escrever neste blog, assumi alguns riscos. Esse tema é, sem dúvida, o mais difícil que (eu) já fiz, nem tanto pelo tema, mas pelo momento de vida pelo qual atravesso.

Vamos lá.

Sabe aquelas festas de criança onde uma “tiazona” (cabe aspas???) coloca todas em fila e dispara:

- Que criança adorável! O que você vai ser quando crescer?

Putz! Que pergunta! Já percebeu que essa pergunta é muito mais complexa do que parece? Não aponta para resposta rápida:

– Grande! – Dãaaaaaaaaaaa! Não, não pode ser assim a resposta dessa pergunta. Ela está ligada a um plano de vida, a um objetivo, a um sonho e, talvez, ao destino de quem responda.

Ó perguntinha difícil! O tempo vai passando e a impressão é a de que esta pergunta começa a se fechar ao seu redor como uma cena dos filmes do Indiana Jones.

Respostas: Bombeiro, Policial, Piloto de avião, Professor de educação física (pasmem), Psicólogo, Promotor Público, Administrador, Radialista, Locutor, Apresentador, Produtor, Professor etc...

E agora, José? Não sei. Era tão fácil quando eu era garoto, agora parece tão difícil. Ontem falei com uma amiga, que disse ter se arrependido amargamente por ter abandonado seu sonho de bailarina.
Isso é justo? Abandonar seu sonho.

Volto à pergunta. E agora? Dinheiro? Sonho? Lembra daquele episódio do Pica-Pau que o Leôncio ficava sonhando? Mulheres! Dinheiro! Mulheres! Iate! Mulheres! Automóvel! Mulheres! O que será que Leôncio queria ser? O que você aí que está lendo quer ser quando crescer? E não tem essa de: “Eu já cresci”. Não mesmo. Lembra da canção do Raul? “Eu devia estar contente porque tenho um emprego e ganho quatro mil cruzeiros por mês...”.

Estou vivo e tenho muito que crescer. Tanta coisa para fazer, mas a verdade é que muita coisa eu já fiz, mas tem tanta coisa ainda.

Então, já pensou na sua reposta?

Eu já pensei na minha.
Quero ser pai.

Seja feliz e cuidado com a resposta de sua pergunta, você pode conseguir.

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Top 5 Brincadeiras de infância.

1 – Esconde, esconde.
2 – Ajuda, ajuda.
3 – Pega, pega.
4 – Gangorra.
5 – Balança

Putz, maior mancada só cinco, esse TOP renderia um tema.

“Brincadeira de criança”.

Quando terminei de escrever, tinha decidido que a música deste texto seria “Ouro de Tolo” do Raul Seixas, mas como fui tão longe em minha infância mudei. Espero que você vá lá na sua infância também, ou não!

Obrigado Valéria Barbarotto pela força na revisão.