segunda-feira, 28 de abril de 2008

QUANDO EU CRESCER?

Engraçado, eu nunca escrevi uma redação sobre o que eu queria ser. E também nunca pensei muito nisso. Pensava no que não queria ser. Eu não queria ser nem professora, nem a minha mãe.

Toda menina tem sonhos bem parecidos. Bailarina, médica, veterinária, professora, mãe. Nenhum desses me servia. Como disse, sabia o que não queria. E sempre achei que uma profissão não definiria todo o meu ser. Logo, como saberia o que eu queria ser? Só queria ser feliz, ora!

Quando criança eu queria ser amiga de todos, e ficava realmente chateada quando alguém não queria brincar comigo. Mas com o tempo e muitas decepções aprendi que não era esse o caminho. Decidi que queria ter a minha turma. Era a adolescência.

Aí eu queria ser a diferente, e quem não quer nessa idade? Queria conquistar meu espaço, e conquistei, não posso reclamar. Mas a pergunta ainda existia. E aí, o que você vai ser?

Como diferente que eu queria ser, quando me sugeriram fazer magistério, fiz contabilidade. Quando saí do colégio me sugeriram que ficasse um ano pensando na faculdade que queria fazer, mas eu já sabia, sociologia na cabeça. E assim fui prestar o vestibular. Contabilidade? Nunca busquei nem o diploma.

Epa, mas eu não disse que não queria ser uma profissão? Pois é. A vida me levou até uma profissão que eu não queria, mas que não abandono nunca mais, sou professora. Mas a dúvida continua, o que eu quero ser? Sou professora só entre as 13h e 18h, sobra um tempão pra ser o que eu quiser!

Hoje acho que sei o que quero ser. Quero ser mulher e menina, criança e adulta, doce e azeda, alegre e mal humorada, tudo na medida do necessário. Quero não ter que servir a padrões antigos, quero ser dona de mim mesma, não da casa. Quero amar muito e sempre, até a hora que acabar, depois juntar o que sobrou e partir pra outra. Quero estudar pra sempre, tudo o que eu gosto, artes, história, cinema. Quero ouvir música, todas que me fazem bem, todas que me traduzam. Quero mudar de direção se desejar, quero ter tudo pra poder jogar pro alto se achar necessário. Não quero ser constante o tempo todo, quero sentir o vento no rosto de vez em quando.

Quero ser eu. Sem padrão, sem forma, sem roteiro.

TOP 5 Brincadeiras!
1 - Queimada na escola
2 - Stop!
3 - Volei na rua
4 - Campeonato de Atari na casa dos amigos, Enduro e River Raid!
5 - Brincadeiras de menina, onde se colocava nomes de meninos, ações, números, e depois via no que dava, com quem ia ficar. Alguém lembra dessas brincadeiras? Puxa, não lembro de nenhuma delas pra ensinar, rsrs.

Bel Gasparotto

Leia mais sobre a Bel no link convidados na perte superior do blog.

sábado, 19 de abril de 2008

O que não quero ser quando crescer

São Paulo, 15 de março de 1997.
E.E.P.S.G – Prof° Zipora Rubinstein.
Português – Prof° Lucy.
Rogério Ferreira – 8° F.

Redação - O quero ser quando crescer

Talvez soe estranho, mas eu não sei o que quero ser quando crescer na realidade eu só sei o que não quero ser.

Embora seja um rapaz que viva sonhando acordado com um pezinho na lua a única coisa que consigo querer é ter um futuro bom com uma família legal, uns 3 filhos, um emprego que tenha folga nos fins de semana, pague um salário bom e em dia, uma casinha minha (que não seja alugada) com carro na garagem e um telefone.

Até tento sonhar em ser um engenheiro, advogado, arquiteto, mas a minha realidade (que é muito melhor que a de muitos amigos de classe) me faz ter os pés no chão e sonhar com que é possível pra mim. Como cursar uma faculdade se meu pai mal consegue pagar as contas aqui de casa? Minha mãe ta se desdobrando pra ajudar, mas a transportadora mais uma vez tomou um prejuízo enorme, então pra não sofrer uma frustração nem quero pensar nisso, não quero planejar algo que talvez não consiga alcançar.

Ser tímido e por ventura um bom observador me garante algumas vantagens uma delas ter plena certeza do que não quero ser, mas também deixa a realidade muito exposta pra mim, às vezes tenho medo de não conseguir sonhar mais.

(Ontem levei o pai do I pra casa novamente, ele tava sangrando pra caramba tinha um corte enorme na testa, deu tempo de ver um moleque mijando nele que mal conseguia se levantar do chão, o fedo de pinga tava mais forte que nunca, pior que o I já desistiu do pai, tem vergonha dele, não sei como agiria se fosse em casa, ajudar o Seu M, e pedir pro I ter paciência é uma coisa).

Uma coisa que descobri foi que agente sempre tem dois (pra não dizer mais) caminhos. Alguns conhecidos meus (alguns bem próximos) já estão cometendo pequenos furtos, assaltando office-boy no centro, roubando carro pra comprar maconha, o “fulano” já assumiu uma biquerinha, vive com roupa de marca, tênis da moda, indo pra umas festas locas, chega a dar inveja, mas sei lá, não inveja do cara, por que sei que eles não tem um futuro muito longo, talvez seja inveja das facilidades, de ter algumas coisas que ainda não experimentei ou que tenho certeza que vou trabalhar a vida inteira pra conseguir (pra eles tudo parece sempre tão fácil), sei lá, mas ter um policial na família me mostra que nenhum desses dois caminhos quero seguir, viver sem liberdade, preso e sob a tutela do governo e facções que comandam o sistema prisional sem poder colocar a cabeça tranqüila no travesseiro, jurado de morte, são coisas que não conseguiria suportar. Embora pareça que não mas, mesmo estando livre tenho a impressão que o policial vive a mesma situação, ser livre dentro de uma prisão sem muros deve ser pior, sair de casa cedo sem ter certeza que vai voltar ou com a farda escondida na bolsa, onde está o orgulho de proteger cidadãos se quando você está sozinho tem que esconder isso.

Tenho orgulho da minha família e tudo que passaram até aqui pra poder dar uma condição melhor a nós (filhos e netos) do que eles tiveram, mas também não quero seguir os passos do meu avô, vendo-o levantar as 4 da matina pra enrolar maça, carregar a kombi, empurrar bujão de hélio e ir por 3, 4 horas de estrada até uma festinha em uma cidade do interior com suas maças do amor, o pior não está no trabalho duro, desgastante e sacrificado, mas no olhar das pessoas, no tom da voz quando falam com você, as vezes da impressão de estarmos lá atrás como escravos que só tem que servir, servir, servir e por mais esmero e capricho, nunca será o suficiente bom.

Já não posso ser um jogador de futebol (ou trabalho ou trabalho, adeus Rodhia e campeonato paulista), não tenho vocação para o artístico, não sei cantar, muito menos dançar, pintar ou fazer qualquer outra coisa que exija destreza manual, bom seria se pudesse só escrever, mas também não quero ser escritor que futuro isso me daria.
Pois é, não sei o que quero ser quando crescer, mas talvez tudo isso mude, não sei quando se cresce, mas enquanto isso não chega vou vivendo, não sei o que quero ser, muito menos se quero crescer, mas, sei o que quero ter (talvez a sorte, destino, trabalho duro me ajudem a conquistar).


A única certeza que tenho é que com meu primeiro salário vou comprar uma bicicleta.

Fim.
























Top 5 brincadeiras!

1 - Carrinho de rolemã! (quem nunca perdeu um teco dos dedos, entro debaixo de um carro ou usou uma pedra como martelo, não sabe oq ta perdendo)

2 - Cinta ( se correr o bicho pega, se ficar o bicho come)

3 - Mãe da mula (Um bife e uma batata, cada macaco no seu galho, corredor polonês, (e essa mulekada tudo jogando video game))

4 - Peão ( a única brincadeira que eu ganhava)

5 - Bolinha de gude (eu ruim demais nisso, mas estar com a galera sempre rendia umas boas histórias).

Sei que são 5, mas vou colocar mais um de lambuja!

6- Qualquer coisa contra a rua de cima (não tem Corinthians x Palmeiras, Rio x São Paulo, Brasil x Argentina que tenha rivalidade maior do que contra a galera da rua de cima, invasão ninja, guerra de busca-pé, futebol, peão, pipa, arreia, Rua de cima eternos PATOS!!!!)

sexta-feira, 11 de abril de 2008

No corredor do passado

Trilha: Não consegui pensar em uma especial... por isso ouçam algo que gostem.

Citação: "Oh ! Que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!(...)"
Casimiro de Abreu


Há alguns dias, vagando por um corredor do meu passado, entro em uma sala de 1ª série:


- Luis, o que você vai ser quando crescer?
- Piloto de Fórmula 1, professora.
- Ah, que legal! E você, Lívia?
- Eu vou ser bailarina!
- Nossa! Paulo?
- Eu quero ser jogador de futebol!
- Olha! Vamos ter um novo Romário! E você, Elton?

Nesse instante a criança olha para todos os lados, sente o sangue do corpo inteiro ir para a face.

- Éééé... Hummm... Caminhoneiro.
-

O silêncio durou uns dez segundos. Depois vieram as gargalhadas. Entre astronautas e professoras, veterinários e médicos, cantores e atrizes, o aspirante a Bino sentiu-se envergonhado, embora não entendesse o motivo para tamanha farra. Talvez ele devesse ser comediante, pensava. Durante algum tempo fico parado vendo o pequeno Elton dar explicações às hordas de crianças sorridentes que vinham para fazer pouco caso da atrapalhada escolha.

Saio da sala e vou um pouco mais adiante, paro em frente à sala do 3º Colegial. Jovens discutem o vestibular e os planos para o fim daquele ciclo escolar. É nesse ambiente que vejo o adolescente Tonton entre os amigos da escola:

- E aí Macaco, o que você vai fazer na facu?
- Engenharia, sem dúvida... E você, Cacão?
- Direito. Beloto, sabe o que vai fazer?
- Fisioterapia. E você Tonton, vai prestar pra que?

O rapaz parece hesitar em responder, mas toma coragem e dispara:

- Não sei...
-


Dessa vez durou menos. Porém, ao invés de risos eu vejo indignação.

- Como não sabe?
- Você tá louco?
- O vestibular é em 6 meses e você não decidiu?

Fosse o adolescente um avestruz, certamente sua cabeça estaria três palmos abaixo do solo. Chateado com a cena, consegui enfim achar a luz do meu quarto e voltar.

Ontem recebi a visita inesperada do pequeno Elton caminhoneiro e do jovem Tonton, possivelmente um futuro hippie. Após conversarmos algumas amenidades, me vejo engasgando com uma pergunta do inocente Elton. A mesma que há algum tempo também os incomodou.

-Bom... Quem sabe eu posso ser um produtor de TV. Posso continuar com minha empresa, ou largar o ramo de vez. Posso voltar a estudar. Ser dono de uma banca de jornais. Posso até viajar por ai pra quem sabe descobrir um destino?

O garoto e o adolescente se entreolham, como que desiludidos. Quem sabe a tal pergunta não tenha mesmo resposta... Os dois se despedem, tristes.

Hoje cedo, assistia TV, quando me vem o estalo.

- É isso!

Rapidamente Elton e Tonton saem de suas salas escuras e vem correndo para tentar entender minha animação.

- É isso o que eu quero ser! Olhem!

Os dois olham para a TV e vêem um comercial de margarina, daqueles cheio de clichês.

- Você vai ser “fazedor” de propaganda? – pergunta Elton.
- Publicitário – corrige Tonton.
- Claro que não! Vejam esse cara! – continuei – Ele está ao lado da família, todos unidos, passando margarina no pão! O mundo lá fora um caos: guerra, violência, fome, mensalão, dengue. Mas lá está ele. Apenas passando margarina no pão!

- Então você vai ser filósofo agora? – ironiza Tonton
- Vocês não percebem? A resposta pra nossa pergunta é: SER FELIZ! Só isso!

Os dois finalmente esboçam um sorriso.

- É... Pra mim ta bom! – diz Elton – E pra você?
- Sim. Chegamos lá, finalmente – concorda Tonton – Mas tenho outra pergunta agora: Como?

Nós três nos olhamos em silêncio, para depois cairmos na gargalhada. Então aconselho:

- Quem sabe aquele senhor de cabelos brancos comendo pão com margarina ali do outro lado do corredor possa nos ajudar?


Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência

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Lista Top 5 Brincadeiras de Criança
5 - Taco (quantas bolinhas perdidas)
4 - Gato-mia (divertido brincar com as amiguinhas de escola)
3 - Futebol de Botão (fui 3º colocado em dois campeonatos)
2 - Futebol (sem comentários)
1 - Salada Mista (quem nunca pediu pro amigo apertar o olho quando fosse a menina que a gente queria?)

sexta-feira, 4 de abril de 2008

O que eu queria ser quando crescesse.

Para ler ouvindo: Balão Mágico - Superafantástico.

Foto: Márcio Brigo.

Quando eu escolhi escrever neste blog, assumi alguns riscos. Esse tema é, sem dúvida, o mais difícil que (eu) já fiz, nem tanto pelo tema, mas pelo momento de vida pelo qual atravesso.

Vamos lá.

Sabe aquelas festas de criança onde uma “tiazona” (cabe aspas???) coloca todas em fila e dispara:

- Que criança adorável! O que você vai ser quando crescer?

Putz! Que pergunta! Já percebeu que essa pergunta é muito mais complexa do que parece? Não aponta para resposta rápida:

– Grande! – Dãaaaaaaaaaaa! Não, não pode ser assim a resposta dessa pergunta. Ela está ligada a um plano de vida, a um objetivo, a um sonho e, talvez, ao destino de quem responda.

Ó perguntinha difícil! O tempo vai passando e a impressão é a de que esta pergunta começa a se fechar ao seu redor como uma cena dos filmes do Indiana Jones.

Respostas: Bombeiro, Policial, Piloto de avião, Professor de educação física (pasmem), Psicólogo, Promotor Público, Administrador, Radialista, Locutor, Apresentador, Produtor, Professor etc...

E agora, José? Não sei. Era tão fácil quando eu era garoto, agora parece tão difícil. Ontem falei com uma amiga, que disse ter se arrependido amargamente por ter abandonado seu sonho de bailarina.
Isso é justo? Abandonar seu sonho.

Volto à pergunta. E agora? Dinheiro? Sonho? Lembra daquele episódio do Pica-Pau que o Leôncio ficava sonhando? Mulheres! Dinheiro! Mulheres! Iate! Mulheres! Automóvel! Mulheres! O que será que Leôncio queria ser? O que você aí que está lendo quer ser quando crescer? E não tem essa de: “Eu já cresci”. Não mesmo. Lembra da canção do Raul? “Eu devia estar contente porque tenho um emprego e ganho quatro mil cruzeiros por mês...”.

Estou vivo e tenho muito que crescer. Tanta coisa para fazer, mas a verdade é que muita coisa eu já fiz, mas tem tanta coisa ainda.

Então, já pensou na sua reposta?

Eu já pensei na minha.
Quero ser pai.

Seja feliz e cuidado com a resposta de sua pergunta, você pode conseguir.

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Top 5 Brincadeiras de infância.

1 – Esconde, esconde.
2 – Ajuda, ajuda.
3 – Pega, pega.
4 – Gangorra.
5 – Balança

Putz, maior mancada só cinco, esse TOP renderia um tema.

“Brincadeira de criança”.

Quando terminei de escrever, tinha decidido que a música deste texto seria “Ouro de Tolo” do Raul Seixas, mas como fui tão longe em minha infância mudei. Espero que você vá lá na sua infância também, ou não!

Obrigado Valéria Barbarotto pela força na revisão.

Noir

TEMA ENCERRADO, ACOMPANHE AS 4 POSTAGENS ABAIXO

Femme fatale, protagonistas moralmente ambíguos, protagonistas alienados, personagens violentos ou corruptos. Ambiente urbano é um ambiente? Locações exóticas ou remotas?? Casas noturnas, clubes de jogos. Senso de fatalismo, obsessão sexual, corrupção social ou humanitária inerente, emboscadas, Niilismo.

Noir, Noir, Noir! Cuidado com becos escuros, mulheres com batons extremamente vermelhos e textos mal intencionados.

A convidada do mês é a Suz.

sexta-feira, 28 de março de 2008

O aspira

"O aspira"
Para ler ouvindo: The Eternals - Black Museum




Único lugar em que há prazer em minha vida.
Minha musa com unhas e boca escarlate.
E quando estou no ápice...
toca o celular.
'Positivo'
Deixo-a extasiada e saio.
No beco escuro muito perto da violência
há somente minha sombra
Chego no extremo, o mais próximo da parede
Encontro um pacote.
E também um 'parado aí'.
Sou revistado pelo aspira.
Digo quem sou e nada.
Maldito playboyzinho.
Aquele filho-da-puta ainda me paga.
E ainda me leva pra DP.
Logo encontro o filho-da-puta do pai dele,
delegadozinho de merda.
Começam a rir e tentam me fichar.
Dizem matar meu único prazer,
e torturar minha mulher
Digo que o aspira é viado
E conto um caso
Até que inesperadamente chega o sargento
E não deixa me fichar.
Tem muita coisa pro aspira aprender.
Saio e vou pro bar.
Encontro a famigliae bebo com eles.
Meia hora depois chega o aspira.
Olho para ele e o mostro para o chefão.
Volto pra minha musa.
Continua fatal como sempre
E aí liga minha mulher
'Tá trabalhando?
Tua filha tá doente, você precisa voltar logo.
Preciso mais de você que esses bandidos.
'Tudo o que façoé dar um bejo nela
E ir embora.
E esperar notícias do aspira.
Ou aprende.
Ou...

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"Do what you like and fuck the rest" Dwayne - (Pequena Miss Sunshine)"

O horizonte é uma linha imaginária que se afasta quando nos aproximamos." (O Sorriso de Monalisa)

"Eu não sou um conceito, sou apenas uma garota fudida procurando a paz." (Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças)

"It's funny how the colors of the real world only seem really real when you viddy them on the screen." (Laranja Mecânica)

"I'm a golden god" (Quase famosos)


Suzanne Miyazato
mais sobre Suz em:

Desanuviar
http://odesanuviar.blogspot.com/

Musik Bar
http://musikbar.blogspot.com/

Fotos e poesias visuais
http://www.fotolog.com/sukz

segunda-feira, 24 de março de 2008

Só entretenimento

Trilha: Jazz. Muito.
Em algum lugar onde a lei não é a lei.
O odor percorre a rua e inebria a alvorada... o dia vai nascer em pouco tempo e os peixeiros descarregam a noite de trabalho neste, que é o lugar que eu menos queria estar na cidade. À porta do bar, ela me esperava, como fez em todas as noites na última semana.
O bar era como um bar devia ser. Um balcão sujo, com bêbados caídos, e filósofos da meia-noite tentando manter uma conversa alinhada. Nas mesas, alguns jogavam pôquer, alguns jogavam conversa fora. Havia aqueles que tentavam arrumar confusão, rapidamente desencorajados por um leão-de-chácara do tamanho de um rinoceronte branco. A nuvem densa de fumaça de cigarro deixava os rostos pouco nítidos e os olhos extremamente irritados. Além de tudo, tinha um aroma único. Uma mistura de guimba de cigarro misturada com rum barato e complementada com um toque de dinheiro sujo e más intenções.
A investigação vinha se arrastando há muito tempo, e eu me apoiava em evidências e dicas extremamente discutíveis de fontes extremamente não confiáveis. Por exemplo, aquela mulher. Aquela mulher descarregava pretensão a cada sílaba que saia de sua maliciosa boca. Ela me pagou um drinque, como fazia toda noite. E finalmente me dizia seu nome.
- Me chamo Mary.
- Eu não acredito mais em uma palavra do que diz.
- Como não? Eu não teria por que esconder isso, teria? - indagou a moça, certa de que ainda me enganava.
- Não leve a mal, querida. Não confio em tipos como o seu.
- É? E que tipo é o meu?
Seu modo de falar era um show à parte. Ela era tímida, porém, decidida. Em alguns momentos era insegura, em outros, agressiva. Dissimulada ao mesmo tempo em que jorrava convicção.
- Uma mulher que perdeu o respeito dos pais por ser um tanto mais "atirada" do que as outras garotas. Sem rumo e sem dinheiro, bateu de bar em bar procurando uma ocupação para sua bonita voz. Então você veio parar aqui, nesse recanto de poetas fracassados, boêmios desempregados e jogadores de pôquer em fim de carreira.
- Huuum... você é muito bom nisso! - senti sua respiração mudando, me indicando que eu estava chegando a algum lugar.
- Sabe, - disse ela - eu também sei um pouco sobre pessoas. Por exemplo, você é um policial frustrado, que foi abandonado pela esposa e dedica todo o seu tempo a investigações infrutíferas. Pegou um caso complexo demais e sua limitada percepção não consegue solucionar. - ao terminar, tragou o cigarro e soltou uma baforada densa, que cobriu minha visão.
Por mil demônios! Aquela maldita mulher me leu como se eu fosse um livro infantil. A situação havia se invertido e ela passava suavemente o lenço em volta dos lábios como se limpasse o veneno que escorria das presas.
- Veja, detetive, já eu simpatizo com tipos como você. Sempre tentando consertar um mundo sem conserto.
- E o quê você sabe disso, querida? - eu tentava esconder o meu receio com o meu sarcasmo.
- Só acho que você se preocupa tanto com a sujeira dos outros, que não enxerga aquela que se esconde debaixo do seu nariz.- agora ela esboçava um sorriso de canto de boca.
- Acredite, boneca... você não quer ir pra esse lado... Eu faço algo para ajudar, para mudar as coisas. Você... bem, você é entretenimento.
Havia algo de errado. As palavras fugiam da minha mente, minha vista se escurecia, a pressão subia. Aquela vadia me tirara do sério.
- Ahhh, agora você disse a palavra-chave, querido. É tudo entretenimento... - ela apaga o cigarro, levanta-se e segue em direção ao palco. Ajeita o microfone e começa a cantar "Summertime".
Irônico ou não, é minha canção favorita.



O suor começava a molhar minha camisa, aquilo estava fugindo do controle. Me levanto e caminho, cambaleante, em direção ao banheiro. Entro, molho o rosto e tento permanecer calmo.
"Oh your Daddy's rich and your ma is good lookin'
So hush little baby, don't you cry"

Levanto o olhar até ver minha já pálida face no espelho. Não tem mais como me acalmar. Tiro minha camisa e tento mordê-la para evitar que minha língua se enrolasse. Um pranto tímido começa a rolar pelo meu rosto.
"One of these mornings
You're goin' to rise up singing"

Caio no chão do banheiro, a voz penetrante daquela mulher desligava, uma por uma, as funções do meu corpo até que só me restasse a consciência. A consciência de que caíra no truque mais antigo do mundo. O veneno era lento e mortal, não havia escapatória.
"Then you'll spread your wings
And you'll take to the sky"

Ainda tento mover, um dedo que seja. Inútil. As pessoas não sabem como reagir diante da morte, mas da experiência que tive, só posso pensar em um misto de resignação e conformismo. Agora não havia mais dor, não sentia nada.
Quando me mandaram atrás de uma tal "loira suicida", jamais imaginava que teria dificuldades para resolver o caso. Eu só fui descobrir quem ela realmente era nesta noite. Mas ela já me conhecia e sabia de minhas intenções há muito tempo. E não fugiu. Não sentiu medo. Planejou com notável frieza cada passo de mais um assassinato na sua notória ficha criminal. Encarou a morte de frente. E mais uma vez venceu.
E eu finalmente entendia o prazer que aquela mulher sentia pela morte. Para ela, é tudo entretenimento.
"But till that morning
There’s a nothin’ can harm you

With daddy and mammy standin' by
"

Agradecimento especial ao Rogério, por emprestar a personagem.
Lista: Top 5 - Melhores frases do cinema
1-"Do you feel lucky? Well do you, punk?" (Você se sente sortudo? Então, se sente, pivete?) - Dirty harry
2-"I'm going to make him an offer he can't refuse" (Eu vou lhe fazer uma proposta que ele não pode recusar) - O Poderoso Chefão
3-"Frankly, my dear, I don't give a damn" (Francamente, querida, eu não dou a mínima.) - ... E o vento levou
4-"Here's Johnny!" O Iluminado
5-"You Talking to Me?" (Vocè está falando comigo?) - Taxi Driver
6-"Dadinho é o caralho, meu nome é Zé Pequeno, Porra!" Cidade de Deus
7-“Say Hello to my little friend” (diga olá para o meu amiguinho) - Scarface
8-"Go ahead, make my day" (Vá em frente, faça meu dia) - Dirty Harry
9-"Don't interrupt me, honey!" (Não me interrompa, querida) - Beleza Americana
9-"Hi, hi, hi, Mr. Deltoid!" - Laranja Mecânica
10-"Redrum" - O Iluminado

PS: exatamente, meu top 5 tem 10, porque não consegui tirar as outras 5....kkkk


quarta-feira, 19 de março de 2008

Candidato a Presunto.

Para ler ouvindo: Cantaloupe Island (veja o video abaixo).



Mão direita garrafa de uísque, manga da camisa italiana, terno vinho, chapéu de feltro. Mão esquerda com o fósforo pronto para acender um charuto, um prazer para um homem que sabe apreciar coisas boas, mas não agora. Batidas secas. À porta um homem enfia a cabeça para dentro:

- Chefe, é melhor o senhor ver isso!

Com um terno azul marinho surrado, pelo uso e pelos homens que o prenderam, ele sente sua cabeça doer. Dor essa que também pode ser explicada pela corda que prende a sua cintura, tronco e pés, os homens do maior chefão da máfia da cidade não estavam mesmo preocupados com o seu conforto. E como previsto ele o chamaria assim que lhe dispensassem as boas vindas.

- Por conta da sua expressão percebo que sabe quem eu sou, eu que não sei o seu nome – disse o homem elegante e impecável no seu terno vinho.

- Claro que sei quem é você, o papa defunto local. Desculpe, mesmo depois do tratamento que seus homens me dispensaram ainda não pretendo encomendar um caixão.
Parecia que o vinho do terno subia para o rosto do homem. Como poderia um homem sozinho e amarrado ser tão insolente contra ele, o maioral daquela cidade?

- Senhor, encontramos este cartão com ele – disse o empregado interrompendo o homem que se preparava para dar uma lição no insolente – Chefe, ele estava falando com ela – continuou o empregado.

Mesmo sem ouvir o nome, o chefe sabia que ele se referia a sua garota. Agora o vinho parecia mesmo ter sido derramado em seu rosto.

- Sai! - Gritou o chefe para o empregado.

Quando o homem fechou a porta ainda pode ouvir o baque do primeiro soco desferido por seu chefe contra o rosto do homem, mas não viu o seu chapéu cair no chão.

- Filho da puta! Quem é você?

O homem do terno azul cuspiu uma bola de sangue no sapato italiano do chefão e apontou com o queixo para o cartão na mão dele.

Cavaleiro Azul
Agência de Detetives
Arthur Zulian Louis

- Isso é uma piada? Um detetive de merda se metendo com a minha garota?

- É por que me disseram que você não dá no coro – Dessa vez o soco foi muito violento, tanto que derrubou o homem com cadeira e tudo no chão.

- Tá bom eu falo!
O espanto do chefe foi tanto que ele recuou. Então existe mesmo uma historia?

- Mas eu quero uma tragada antes.

O chefe tirou uma cigarreira prateada do bolso e colocou um cigarro na boca do homem e ficou olhando para ele.

- Você não vai acender? – a insolência no tom de voz daquele homem era tão irritante que mais uma vez o chefe se descontrolou e o socou derrubando com cadeira e tudo.

- Por acaso você é louco? – Perguntou o homem, a essa altura mais “vinho” que a sua roupa.

- Vai, me levanta logo! – Gritou o homem no chão.

- Não, isso não vai ficar assim – o chefe caminhou decidido em direção ao homem caído, mas teve uma surpresa, sentiu uma rasteira, as pernas do homem estavam soltas, Antes ainda que pudesse chegar ao chão sentiu um soco no queixo, desmaiou.

Arthur, finalmente em pé, pegou o cigarro do chão e no bolso do chefe encontrou um isqueiro. Deu uma longa tragada, amarrou o chefe, mas o deixou no chão. Enquanto colocava o grandalhão sentado junto a parede pensava: “Cem mil pratas por esse, vou endireitar a minha vida”. Pegou também o chapéu e colocou na cabeça.

- Da forma que você me bateu foi fácil escapar das cordas, mas como vou tirá-lo daqui? Não sei. Mas antes de pensar nisso vamos à minha vingança pessoal.

Tirou o sapato direito do chefe já acordado e com a gravata enfiada na boca. Pegou a cadeira e segurou-a a um metro de altura, na direção do dedão do chefe, olhou nos olhos dele e disse:

- Esse porquinho foi ao mercado!




Obrigado ao Ton e o Luiz pela força neste texto.

sexta-feira, 7 de março de 2008

O Retorno

O Retorno
Para ler ouvindo: Bullet in the head - Rage Against Machine




- Sim.
- Hum rum!
- Sei.
- Com prazer é mais caro!
- Pode me chamar do que quiser.
- Você quer transar comigo?
- Quer chupar meus peitos?!
- Para de conversa fiada!
- Pissssssssss.
- Vocês podiam mudar o discurso pelo menos.
- Eu tenho cara de puta?
- TENHO CARA DE PUTA!!??
- Uma mulher não pode beber sozinha no bar?!
- Tá, tá, tá, tá, tá.
- Não
- Não
- Não
- Qual a parte do não você não ta entendendo?
(tudo culpa daquele viado)
- Não to bêbada, não quero companhia, não preciso de ajuda muito menos proteção, não quero outra bebida, não quero sexo, não gosto de cigarros e odeio caras chatos como você!
- Você prefere que eu saia!
- Tudo bem! (nada vai estragar minha noite, não hoje)
- Não encosta em mim
- Já falei não encosta em mim!
- Bêbado filho da puta!
- Sou gostosa*
- Sou vaca* (sangue de barata, sangue de barata, sangue de barata, sangue de barata)
- Piranha, sim so também!
- Agora vaza.
- Meu conhaque ta esquentando. Eu não gosto de conhaque quente.
- Sim, é uma ameaça.
(Deus se você existe mesmo, deve estar rindo de mim nesse exato momento, to ouvindo você puxando o ar pra rir mais alto, por que comigo? Por que esses timpinhos. Isso Deus, ri de mim, ri mais, continua ai no seu pedestal rindo, Eu ainda me encontro com você Deus ai descubro realmente se você é imortal)
- Viado dos infernos vai embora!
- V A I E M B O R A.
- Não
- Vagabunda não.
- Ultimo aviso.
- Não encosta em mim
- N Ã O E N C O S T A E M M I M.
- F I L H O D E U M A P U T A D E S G R A Ç A D O!


Calmamente ela tomou um gole longo do seu conhaque, sentiu o cano quente em contato com sua cintura, dois tiros foram suficientes pra deixa-lo em brasa, sem remorso pulou sobre o corpo estendido no chão cravejado no peito. O cheiro de pólvora confundiu-se com os odores do fétido bar, os gritos atônitos não foram suficientes pra silenciar a música alta e brega.

Andou até o balcão debruçada sobre ele evidenciado suas curvas e chamando a atenção do pobre Barman, pegou no seu ombro um pano sujo e úmido. Sua revolta agora era com a mancha de sangue que ficou sobre a camisa branca, com a palma da mão limpou o sangue que ainda escorria pelo rosto, o sorriso malicioso, mudou para debochado quando ela chupou um dos dedos, o ar de moleca lhe permitiu lançar um beijo maldoso para um rapaz apavorado que se escondia de baixo da mesa.

Puxou a cintura da calça jeans surrada para cima e viu o reflexo no espelho da bunda crescer junto com o olhar depravado do Barman, se virou, puxou a camisa para baixo evidenciando ainda mais o decote em "V", os bicos dos seios rígidos denunciavam a excitação, as mãos apertaram os peitos endireitando os na camisa branca (quase transparente) respigada de sangue colada ao corpo. Pele branca, olhos azuis, boca vermelha, cabelo negro, curto, unhas longas, puxou a jaqueta que estava na cadeira ao lado a jogou por sobre os ombros e foi em direção a porta.

- Atenção rapazes! Cuidado (sussurrado) nem todas mulheres são indefesas. As como eu muito menos. AH! Digam a ele! A loira suicida voltou.



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Nunca parei pra pensar em frases de filmes ou ouvindo elas martelarem na minha cabeça, o desafio foi gostoso e intenso e provavelmente to deixando de lado muita coisa dos melhores roteiros que já assisti... mas vamos ao que interessa:

EU QUERO VOCÊ (Mais estranho que a ficção)(Um dos melhores roteiros já filmados!!!)
Eu quero você!
O que?
Eu quero você!
E o que mais...
Não sei só pensei até a parte do EU QUERO VOCÊ)

Suculenta, e com pedrinhas que derretem na boca (Cidade dos Anjos, descrição do sabor Pera) (simplesmente incrivel, pra mim a sintese de todo filme)

Quando o dedo aponta para o céu, o idiota olha para o dedo! (O Fabuloso Destino de Amélie Poulain) (teriam mais 547 frases só desse filme, destaque para parte do orgasmo)

O mais importante não é a força da pancada que você pode dar, e sim a força da pancada que você pode suportar, para levantar e bater de novo. (Rocky) (lema)

Não sei, só sei que foi assim! (O Auto da Compadecida) (Quem nunca disse essa frase que atire a primeira pedra)

I shoul'd be work (Homem invisivel ou algo parecido) (por que eu realmente deveria estar trabalhando).

Carta de amor!

De peito aberto escreveremos para nossos amores.

Serão 4 tentativas. A convidada da vez é a Morena.

Tema encerrado, leia os quatro post´s abaixo.