quarta-feira, 19 de março de 2008

Candidato a Presunto.

Para ler ouvindo: Cantaloupe Island (veja o video abaixo).



Mão direita garrafa de uísque, manga da camisa italiana, terno vinho, chapéu de feltro. Mão esquerda com o fósforo pronto para acender um charuto, um prazer para um homem que sabe apreciar coisas boas, mas não agora. Batidas secas. À porta um homem enfia a cabeça para dentro:

- Chefe, é melhor o senhor ver isso!

Com um terno azul marinho surrado, pelo uso e pelos homens que o prenderam, ele sente sua cabeça doer. Dor essa que também pode ser explicada pela corda que prende a sua cintura, tronco e pés, os homens do maior chefão da máfia da cidade não estavam mesmo preocupados com o seu conforto. E como previsto ele o chamaria assim que lhe dispensassem as boas vindas.

- Por conta da sua expressão percebo que sabe quem eu sou, eu que não sei o seu nome – disse o homem elegante e impecável no seu terno vinho.

- Claro que sei quem é você, o papa defunto local. Desculpe, mesmo depois do tratamento que seus homens me dispensaram ainda não pretendo encomendar um caixão.
Parecia que o vinho do terno subia para o rosto do homem. Como poderia um homem sozinho e amarrado ser tão insolente contra ele, o maioral daquela cidade?

- Senhor, encontramos este cartão com ele – disse o empregado interrompendo o homem que se preparava para dar uma lição no insolente – Chefe, ele estava falando com ela – continuou o empregado.

Mesmo sem ouvir o nome, o chefe sabia que ele se referia a sua garota. Agora o vinho parecia mesmo ter sido derramado em seu rosto.

- Sai! - Gritou o chefe para o empregado.

Quando o homem fechou a porta ainda pode ouvir o baque do primeiro soco desferido por seu chefe contra o rosto do homem, mas não viu o seu chapéu cair no chão.

- Filho da puta! Quem é você?

O homem do terno azul cuspiu uma bola de sangue no sapato italiano do chefão e apontou com o queixo para o cartão na mão dele.

Cavaleiro Azul
Agência de Detetives
Arthur Zulian Louis

- Isso é uma piada? Um detetive de merda se metendo com a minha garota?

- É por que me disseram que você não dá no coro – Dessa vez o soco foi muito violento, tanto que derrubou o homem com cadeira e tudo no chão.

- Tá bom eu falo!
O espanto do chefe foi tanto que ele recuou. Então existe mesmo uma historia?

- Mas eu quero uma tragada antes.

O chefe tirou uma cigarreira prateada do bolso e colocou um cigarro na boca do homem e ficou olhando para ele.

- Você não vai acender? – a insolência no tom de voz daquele homem era tão irritante que mais uma vez o chefe se descontrolou e o socou derrubando com cadeira e tudo.

- Por acaso você é louco? – Perguntou o homem, a essa altura mais “vinho” que a sua roupa.

- Vai, me levanta logo! – Gritou o homem no chão.

- Não, isso não vai ficar assim – o chefe caminhou decidido em direção ao homem caído, mas teve uma surpresa, sentiu uma rasteira, as pernas do homem estavam soltas, Antes ainda que pudesse chegar ao chão sentiu um soco no queixo, desmaiou.

Arthur, finalmente em pé, pegou o cigarro do chão e no bolso do chefe encontrou um isqueiro. Deu uma longa tragada, amarrou o chefe, mas o deixou no chão. Enquanto colocava o grandalhão sentado junto a parede pensava: “Cem mil pratas por esse, vou endireitar a minha vida”. Pegou também o chapéu e colocou na cabeça.

- Da forma que você me bateu foi fácil escapar das cordas, mas como vou tirá-lo daqui? Não sei. Mas antes de pensar nisso vamos à minha vingança pessoal.

Tirou o sapato direito do chefe já acordado e com a gravata enfiada na boca. Pegou a cadeira e segurou-a a um metro de altura, na direção do dedão do chefe, olhou nos olhos dele e disse:

- Esse porquinho foi ao mercado!




Obrigado ao Ton e o Luiz pela força neste texto.

sexta-feira, 7 de março de 2008

O Retorno

O Retorno
Para ler ouvindo: Bullet in the head - Rage Against Machine




- Sim.
- Hum rum!
- Sei.
- Com prazer é mais caro!
- Pode me chamar do que quiser.
- Você quer transar comigo?
- Quer chupar meus peitos?!
- Para de conversa fiada!
- Pissssssssss.
- Vocês podiam mudar o discurso pelo menos.
- Eu tenho cara de puta?
- TENHO CARA DE PUTA!!??
- Uma mulher não pode beber sozinha no bar?!
- Tá, tá, tá, tá, tá.
- Não
- Não
- Não
- Qual a parte do não você não ta entendendo?
(tudo culpa daquele viado)
- Não to bêbada, não quero companhia, não preciso de ajuda muito menos proteção, não quero outra bebida, não quero sexo, não gosto de cigarros e odeio caras chatos como você!
- Você prefere que eu saia!
- Tudo bem! (nada vai estragar minha noite, não hoje)
- Não encosta em mim
- Já falei não encosta em mim!
- Bêbado filho da puta!
- Sou gostosa*
- Sou vaca* (sangue de barata, sangue de barata, sangue de barata, sangue de barata)
- Piranha, sim so também!
- Agora vaza.
- Meu conhaque ta esquentando. Eu não gosto de conhaque quente.
- Sim, é uma ameaça.
(Deus se você existe mesmo, deve estar rindo de mim nesse exato momento, to ouvindo você puxando o ar pra rir mais alto, por que comigo? Por que esses timpinhos. Isso Deus, ri de mim, ri mais, continua ai no seu pedestal rindo, Eu ainda me encontro com você Deus ai descubro realmente se você é imortal)
- Viado dos infernos vai embora!
- V A I E M B O R A.
- Não
- Vagabunda não.
- Ultimo aviso.
- Não encosta em mim
- N Ã O E N C O S T A E M M I M.
- F I L H O D E U M A P U T A D E S G R A Ç A D O!


Calmamente ela tomou um gole longo do seu conhaque, sentiu o cano quente em contato com sua cintura, dois tiros foram suficientes pra deixa-lo em brasa, sem remorso pulou sobre o corpo estendido no chão cravejado no peito. O cheiro de pólvora confundiu-se com os odores do fétido bar, os gritos atônitos não foram suficientes pra silenciar a música alta e brega.

Andou até o balcão debruçada sobre ele evidenciado suas curvas e chamando a atenção do pobre Barman, pegou no seu ombro um pano sujo e úmido. Sua revolta agora era com a mancha de sangue que ficou sobre a camisa branca, com a palma da mão limpou o sangue que ainda escorria pelo rosto, o sorriso malicioso, mudou para debochado quando ela chupou um dos dedos, o ar de moleca lhe permitiu lançar um beijo maldoso para um rapaz apavorado que se escondia de baixo da mesa.

Puxou a cintura da calça jeans surrada para cima e viu o reflexo no espelho da bunda crescer junto com o olhar depravado do Barman, se virou, puxou a camisa para baixo evidenciando ainda mais o decote em "V", os bicos dos seios rígidos denunciavam a excitação, as mãos apertaram os peitos endireitando os na camisa branca (quase transparente) respigada de sangue colada ao corpo. Pele branca, olhos azuis, boca vermelha, cabelo negro, curto, unhas longas, puxou a jaqueta que estava na cadeira ao lado a jogou por sobre os ombros e foi em direção a porta.

- Atenção rapazes! Cuidado (sussurrado) nem todas mulheres são indefesas. As como eu muito menos. AH! Digam a ele! A loira suicida voltou.



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Nunca parei pra pensar em frases de filmes ou ouvindo elas martelarem na minha cabeça, o desafio foi gostoso e intenso e provavelmente to deixando de lado muita coisa dos melhores roteiros que já assisti... mas vamos ao que interessa:

EU QUERO VOCÊ (Mais estranho que a ficção)(Um dos melhores roteiros já filmados!!!)
Eu quero você!
O que?
Eu quero você!
E o que mais...
Não sei só pensei até a parte do EU QUERO VOCÊ)

Suculenta, e com pedrinhas que derretem na boca (Cidade dos Anjos, descrição do sabor Pera) (simplesmente incrivel, pra mim a sintese de todo filme)

Quando o dedo aponta para o céu, o idiota olha para o dedo! (O Fabuloso Destino de Amélie Poulain) (teriam mais 547 frases só desse filme, destaque para parte do orgasmo)

O mais importante não é a força da pancada que você pode dar, e sim a força da pancada que você pode suportar, para levantar e bater de novo. (Rocky) (lema)

Não sei, só sei que foi assim! (O Auto da Compadecida) (Quem nunca disse essa frase que atire a primeira pedra)

I shoul'd be work (Homem invisivel ou algo parecido) (por que eu realmente deveria estar trabalhando).

Carta de amor!

De peito aberto escreveremos para nossos amores.

Serão 4 tentativas. A convidada da vez é a Morena.

Tema encerrado, leia os quatro post´s abaixo.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Carta ao Bem Amado

Por Morena dona do blog:
Quando menina, pensava que um dia veria um príncipe chegar, com seu lindo cavalo, bela casaca e uma rosa em mãos.

Quando adolescente, pensava que um dia veria um gato chegar, com sua linda moto, bela jaqueta e um par de ingressos para o peal jam em mãos.

Quando mulher, pensava que um dia veria um homem chegar, com seu lindo carro, belo terno, e uma aliança em mãos.

Um dia, quando minha consciência se abriu, percebi que não desejava nada daquilo. Passei a desejá-lo como és. Ranzinza quando alguém te corta no transito, envergonhado quando uma criança o elogia e apaixonado quando nem ligo pra você.

Passei a descobrir que suas características são o seu mapa, aquele que recrio em minha mente todos os dias, mapa do meu amor. Um mapa quase vivo, que me consola, que me ama, que me sacia, que me surpreende.

Tê-lo em meu coração preencheu o vazio que o tomava, minha companhia era o pensamento mantido em você. Passei a conhecê-lo mais do que a mim mesma, passei a prever suas ações. Esta foi a maior realização que o amor poderia ter me trazido.

Só então, percebi o quanto o amor nos inebria. Eu estava hipnotizada por um personagem que tomou conta dos meus sonhos, que eu respirava dia a dia. Notei q passei a perder horas pensando em você e sonhando com seu próximo passo, passei a perder noites de sono imaginando a surpresa que me faria quando não podia estar comigo.

Sua presença se tornou tão forte, que eu não me reconheço mais... Sou eu, a sombra de mim mesma... Passei a viver a realidade e os meus sonhos. Confundi você com o você que vivia em minha mente.

Só então percebi o grande problema do nosso amor. Você não existe! Permaneço a recriá-lo em minha mente.

Triste, reconheço que ainda sou aquela menina que fica na janela, olhando a tarde passar, esperando o amor chegar.


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Lista das 5 musicas.... nessa ordem.

my funny valentine - chet baker

veja bem meu bem - marcelo camelo na voz de maria rita

preciso ser amado - pedro mariano

viver do amor - chico buarque na voz de angela maria

case-se comigo - vanessa da mata

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Visite nossa convidada Morena

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Desisti de você

Para ler ouvindo : Você Sabe - Mutantes
"um amor sincero! nem sempre pode ser vivido mesmo assim ele nasce e não pode ser apagado" (Érica Adriana)

Oi amor!
Tudo bem com você?

Comigo as coisas estão se ajeitando devagar, mas estão se ajeitando. Me trairia se não acreditasse no que vivo dizendo aos meus amigos: “nada melhor que um dia após o outro pra fechar algumas feridas, colocar as idéias no lugar e apontar novos rumos”

Não vou enrolar muito to escrevendo pra dizer que desisti de você!
Isso mesmo, desisti de você. Na realidade desisti de todo sofrimento que você causou nas minhas ultimas tentativas. Tudo bem pode me chamar de covarde, assumo aqui que sou, pode também pedir pros meus amigos tentarem me convencer do contrário, mas já vou avisando que pode ser uma luta em vão. Desisti de você!

Sei que não te experimentei muitas vezes e confesso aqui minha grande incompetência por isso. Mas as vezes experimentadas foram suficientes pra chegar a essa decisão. Suas definições, poemas, versos, canções, melodias, estórias, narrativas, conversas e o que mais for, são bonitas por lá em seu local de origem ou pela boca de seus interlocutores e até acredito que pra muitos faça algum sentido, mas pra mim não.

Vou continuar a trilhar meu caminho calmo e sereno ao lado de outros sentimentos tão nobres quanto você. Seria a saudade um sentimento? Enfim! Lembrarei dos melhores momentos de nossos encontros, das boas sensações causadas por você, das histórias que vivemos juntos, das canções que cantamos juntos e que me trazem muitas lembranças. Estaria mentindo se dissesse que não gosto de sentir o coração pulsando, as mãos suadas, pernas trêmulas, pensamentos desconexos todas as vezes que me deixei levar por ti, no entanto consigo viver sem isso, consigo viver sem você “amor”!

Sei que posso estar agindo por impulso e que te escrever a essas horas da madruga não é uma boa idéia, sei também que posso estar te culpando por algo que não pode ter sido causado por ti, todavia desisti de você e vou repetir isso com tanta freqüência até que possa acreditar que consiga.

Muitos vão me dizer que a culpa é da paixão que chega subitamente, cria muitas expectativas, me cega o racional, planta alguns sonhos bons e depois vai se embora deixando o rastro de desilusão, sei que estou sendo precipitado, mas não te quero mais.

Chega de choro, noites em claro remoendo brigas, músicas depressivas no fone de ouvido, de esperar o retorno de telefonemas, e-mails, torpedos, chega de vazios, confusão de sentimentos, de não ter mais as rédeas da situação. Chega de sofrer!

To escrevendo por conta do respeito e carinho que tenho por ti algum dos motivos que escrevi acima, mas escrevi mesmo para que soubesse por mim e pode até ser que mude de opinião em algum dia, porém a minha conclusão nesse momento é única, irredutível e definitiva “você não foi feita pra mim”.

Espero que me entenda.
Grande beijo
Rogério


Top 5 - Músicas de amor!
Não necessariamente nessa ordem e embora minha vida sentimental esteja mais pra Los Hermanos.

1. Kriptonita - Ludov

2. Tentei te esquecer - MatoGrosso e Mathias

3. Pienso en ti- Shakira

4. Espátodea - Nando Reis

5. All Star - Nando Reis

Burlando descaradamente as regras do top 5, mais uma música que considero íncrivel. A desculpa para não coloca-la ontem (28/01) é que não consegui lembrar seu nome e depois de muitos chutes do Ton, a encontrei sem querer no youtube.

6. I Will Remember You - Elvis Presley
http://www.youtube.com/watch?v=sdLVol24WlE&feature=related



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Fazendo valer a citação que o Ton me fez no texto abaixo. Texto que abandonei no meio e que não corrigi, que me permiti ser redundante. Declamei pros amigos confrades, minutos após a leitura do texto do Ton, incrivel a semelhança!
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Menti

Tentei mentir pra mim mesmo até me convencer que não pensava mais em você. Apenas tentei.

Espalhei por aí que já estava com todas feridas cicatrizadas e que sua presença não me incomodava mais. Mais uma vez menti.

Planejei mentiras de futuro bom em que você não estivesse ao meu lado, decorrei discursos inflamados, contra-argumentei na frente do espelho suas desculpas e esperei em vão o dia que você viesse me procurar.

Mentiria pra você em alto e bom som que não te queria mais esperando que você dissesse que queria ficar comigo.

Seria mentira se dissesse que não procurei suas amigas pra tentar entender o que estava acontecendo, mas seria mais sincero se eu dissesse que as procurei por respostas, que criei inúmeras desculpas pra sua ausência, tentando me convencer que tudo passaria.

Mentira se afirmasse com a veemência pretendida que não sofri pra apagar suas fotos do meu álbum, que deixei de ler seus antigos recados, que não quis mais ouvir sua voz. Sofri, sofro, mas não mais sofrerei, essa é a mentira que tento a todo momento me convencer sem sucesso.

Inventei desculpas pra suas chamadas não atendidas, culpei os provedores pelos e-mails não respondidos, há quem quero enganar se continuo te ouvindo em todos refrões, se

sábado, 19 de janeiro de 2008

Não vou dizer

Trilha:

Citação:"Todo mundo já teve uma carta que nunca enviou, ou um amor que merecesse uma carta" Rogério Ferreira (Mr. "R")


Como estou?
Como estou, você me pergunta... te respondo, tudo bem, e com você? Mas na verdade nunca te falei o que realmente penso.
Não vou dizer que não paro de pensar em você, mas nos momentos nos quais sua imagem me vem à mente, não me concentro em mais nada. Meu dia se torna improdutivo, minha TV não tem imagem e meu rádio não tem som. Lembro dos teus olhos e o sol perde a cor, lembro do teu sorriso e a lua não brilha mais, lembro dos momentos que passamos juntos e tudo o que eu faço se transforma em tédio.
Não vou dizer que você é tudo pra mim, mas nada do que tenho é igual a você. Você me completa, me faz melhor de muitas formas. O pensamento em você foi meu norte, naqueles momentos em que me perdi nas curvas que trilhava tentando te esquecer.
Não vou dizer que você foi a melhor. Foi a única. A ímpar. Só com você eu pedia a Deus pra parar o tempo, pra que eu ficasse eternamente ao seu lado, te contemplando, da forma como você é, linda.
Não vou dizer que você é perfeita, pois você somente assim seria se não estivesse tão longe. Tão longe que mal consigo vê-la, mas tão perto que meu coração não te esquece.
Não vou dizer que nunca te esquecerei, o foco em você tem sido cada vez menor, mas ainda ocupa a maior parte do meu pensamento. Chega a ser desproporcional, considerando esse seu amor que nunca passou do limite do talvez.
Não vou dizer que sinto saudades do seu amor. A saudade que tenho é de sua simples presença. Do choro fácil que molhou seu rosto tantas vezes, o que te tornava ainda mais fascinante. Saudade de sentir e de provocar ciúmes bobos que passavam no primeiro sorriso. Das brigas sem motivo que terminavam na primeira lágrima.
Não vou dizer que não viverei sem você, eu viverei... mas não quero. Trocaria todas essas palavras por dez segundos com você aos meus braços, trocaria o silêncio calmo da noite pelos seus lamentos cotidianos ao pé do meu ouvido. O amor por você é tanto, que jogaria você em outros braços, se isso fosse garantia de te ver feliz. Porque eu trocaria facilmente o meu ressentimento pela sua felicidade.
Como estou? Estou bem, mas estaria melhor e seria melhor com você ao meu lado. A verdade é essa, mas tal verdade... eu não vou dizer.

Lista: Top 5 - Canções de Amor (estou considerando os intérpretes q escolhi, não os autores)
1-Queen - Too Much Love Will Kill You (letra e interpretação brilhantes)

2-Eric Clapton - Tears in heaven (não deixa de ser uma canção de amor)

3-João Gilberto - Chega de Saudade (a mudança de harmonia no meio da música é perfeita)

4-Queen - Love of My Life (precisa explicar?)

5-Roberto Carlos - Como vai você? ("vem que a sede de te amar me faz melhor", demais)

Ouçam todas, eu recomendo!

domingo, 13 de janeiro de 2008

Para Princesa Suzana – paixão de minha alma.

Para ler ouvindo: Love Song - Legião Urbana (Albúm V)

Meu Céu

Suzana estamos aquartelados na sede de um antigo convento, mando uma mensageiro te entregar esta que pode ser a nossa última correspondência em muito tempo. Digo isso pois, entraremos na face mais escura do território inimigo.

Já se vão cinco primaveras, cinco primaveras em que não tenho seus braços, seus abraços, não sinto seu corpo, não consigo ter seus lábios e seios junto a minha boca. Minha memória não me prega peças, lembro-me muito bem de seus cabelos dourados, de seu quadril e de suas coxas maravilhosas.

Outro dia uma dama da vida me chamou:
-Venha homem farei esquecer sua esposa!
Ó minha princesa, a raiva foi tanta que saquei minha espada imediatamente e coloquei no rosto dela.
- Sabes o nome desta espada, mulher?
- Alma do Céu, senhor - disse a mulher.
- Então sabes que eu sou o guerreiro sagrado e não tenho tempo a perder com dama da vida.


Se o meu ser sagrado não clamasse por sanidade juro que com minhas mãos daria cabo de seu vida.


Ó minha princesa, neste episódio estava tão cansado, exaurido de minhas forças, pois havia enfrentado hordas de inimigos em uma caverna escura e mal cheirosa, sabes bem que meus poderes pouco se manifestam na escuridão. Não fosse meu braço forte e a Alma do Céu, não estaria a escrever esta carta.


Quero que saibas que me lembro, queria até que pudesses me ver, és parte ainda do que me faz forte. E, pra ser honesto, só um pouco infeliz.


Não, não me entenda mal, Infeliz, porque eu queria estar contigo, mas então vem o fogo do bom combate, e me joga no calor da batalha.


Outro dia, no campo de batalha pendurei em meu elmo o sândalo que me destes, senti o cheiro que nele emanava de ti, fechei os olhos, quando abri de novo, não havia mais inimigo em pé ou sobre montaria. Sabes que minhas lágrimas trazem a chuva, mas quando senti o teu cheiro, senti um misto de saudade e raiva, os cavaleiros disseram que os relâmpagos lambiam a terra como serpentes, só tiveram que seguir o caminho aberto por mim.


Como já disse, entraremos em zona sombria, onde os filhos das sombras se escondem com facilidade, se não fosse eu um guerreiro sagrado estaria com medo.


Enquanto lhe escrevo estas sentimentalidades olho minha armadura cor de céu, nunca a achei tão necessária como será depois do sol raiar.


Esta, como já disse antes, deve ser a última carta em muito tempo, guardo seu olhar, seu sorriso, suas lágrimas (que recebi em minha partida), seu amor. E em quanto tiver a ti para voltar sei que terei a dádiva da vitória.


Deste humilde cavaleiro que muito te ama.

Cavaleiro Azul.

Há uma frase da Canção "Giz" da Legião Urbana neste texto.
Foto: Márcio Brigo

Esquisofrenia

Como tratar um tema delicado, sem ofender, tripudiar ou ultrapassar a linha do bom senso.

Serão 4 tentativas. O convidado da vez é Gabriel Vendramini.

Tema encerrado, leia os quatro post´s abaixo.

domingo, 23 de dezembro de 2007

Hércules, ou não.

Para Ler Ouvindo: Balada do Louco - Os Mutantes

Tempo

Pé ante pé, ele corre e grita, olha ao redor, respira fundo e percorre imensos corredores, formando pegadas que não são solúveis, com outros pés que não os seus. Se choca contra prédios que são destruídos, salta como um deus, cai como uma criança. Vê como uma águia, escuta como tuberculosa. Se transforma em carro e “voa” na estrada, se confunde com o firmamento. Chora com tanta propriedade que faz chover. O seu sangue é tão vermelho, que tingiu as rosas. É fraco, é triste, é forte, é feliz, é mulher, é homem, é parte, e todo, é Deus, é Diabo, é guia, é perdida. É fato. Mãos tão grandes que parecem escavadeiras, se enterram no solo e removem porções hercúleas de terra, mais lagrimas transformam tudo em lago, o sorriso trás o sol que faz a alegria das crianças. Ela corre e grita. Grita, seu grito, é tão alto grito que anula o som ao redor, tão forte que é mudo, quando ela grita nada se ouve, nem mesmo seu grito. Quando não há o que fazer ela voa, olha ao redor, mas ver dói, seus olhos sangram escorrem, se transformam um vendaval, maldita natureza que não o deixa em paz. Ele não quer mais ser escravo das leis, quer ser forte, quer ser um entre tantos, ser tão forte a torna tão fraca, bendita franqueza torna os normais tão fortes. Um dia talvez seja possível ser, e tão somente ser, e não depender do Ser para que seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu.

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Para provar que eu não abandonei o blog (kkk) estou aqui para fazer uma proposta.

1º sarau do Três!

Data a ser definida entre o fim de janeiro e começo de fevereiro de 2008.

Mas este sarau não é exclusividade dos Três, pois, o convite se estende aos conviodados e as pessoas que gostam de ler o nosso blog.

Aguardem.

foto: Márcio Brigo

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

A unha está crescendo

*texto escrito por Gabriel Vendramini, convidado da vez.

A unha está crescendo, o cabelo também. Odores corporais estão vencendo, olhos ficando cheio de remela. Meia que estava no pé esquerdo saiu e foi parar atrás da cama, os pêlos da barba começam a encravar no rosto à medida que os segundos vão passando.

O celular está ao lado, em cima de um velho suporte onde você costumava apoiar a sua TV, ele foi programado para despertar daqui algumas horas, já que você não consegue acordar sem essa merda de toque escandaloso. A TV? Você não assistia mesmo, foi parar lá na cozinha. Logo ali, mais ao lado, está seu mundinho, sua bagunça. Você olha pra sua escrivaninha e promete todo dia a si que vai arrumar aquilo. Você faz? Ah, faz...Olha a formiga dentro do papel de Milkybar que você comeu há 2 semanas rindo de você. Seu computador está ligado à internet à noite inteira, como se fosse um servidor, um storage, acervo ilegal de mp3’s, filmes e seriados. Depois do segundo mês você parou de se importar com a conta de energia. Um ventilador quebrado, uma porta com maçaneta quebrada, onde foi parar a chave do cadeado da janela? E tinha um cadeado? E já houve maçaneta nessa porta? Merda de festas, merda de lembranças, merda de pessoas, merda de estado ébrio. Dentro do guarda-roupa, quase um silo, quase um abrigo para refugiados. De acessórios como suspensórios e braceletes a cd’s de jogos que costumava jogar quando tinha lá seus 12 anos. Os instrumentos de maior prazer estão ali no cantinho, no pé da cama. Seu violão que nunca teve marca e nunca teve elegância continua fazendo o mesmo som de 5 anos atrás. A sua primeira guitarra, com braço levemente empenado e trastes completamente gastos, ainda é sua melhor amiga. Roncando por causa da rinite que já foi mais incômoda no passado, dormindo até a hora de se levantar para a rotina de segunda a sábado.

E, de repente, durante a escrita, você tem um lapso, perde a linha do raciocínio e a vontade de escrever. O reflexo no vidro que está em sua frente não mente. Você está com aquela cara de merda olhando para o monitor pensando em como o dia de ontem foi ruim por ter tido que fazer uma horinha extra aqui, outra ali. Pensa nas coisas, se elas valem à pena, se estão valendo à pena, se vão valer num futuro próximo.

Alguém passou roçando rente à porta, pelo som que fez você até sabe que a calça era jeans. Outro que está dando um treinamento a operadores de telemarketing. A concentração é uma coisa engraçada, né? Se eu não tivesse conseguido ler alguns livros durante o curso de minha vida, eu podia jurar que tenho DAA.